Pinturas sobre chapas de alumínio

As primeiras chapas de alumínio apresentaram-se como uma incógnita para mim. Durante esses anos de convívio o alumínio se tornou mais do que um suporte rígido e estável para pintura.
A construção das pinturas não partem de um projeto totalmente calculado, em que se sabe como será seu começo e fim. A cada dia, faixas e superfícies de cores são sobrepostas em finas camadas transparentes que se fundem com a cor da camada anterior e assim, sucessivamente, por dezenas de vezes. As relações cromáticas se estabelecem e o jogo com pintura se inicia.
No campo da pintura concentram-se as nuances luminosas acinzentadas do metal com as camadas coloridas e translúcidas da tinta. A percepção das cores são alteradas dependendo da incidência da luz exterior na pintura. O olhar frontal do observador é convidado a um pequeno deslocamento para as laterais do quadro, a luminosidade se mostra distinta em cada posição do olhar.
A superfície do metal oferece brilho ou opacidade, dependendo do tratamento escolhido antes de poder receber as camadas de tintas. Penso que durante esses anos de convívio com os materiais, minha escolha poderia ter se tornado monótona e repetitiva, mas ao contrario disso, encontro fôlego e surpresas nas diferentes possibilidades que os materiais ainda oferecem.